Arquitetura Escolar
Nas próximas postagens abordaremos um assunto tão interessante e tão presente no nosso cotidiano: a arquitetura escolar.

A influência causada pela estética da arquitetura em nossa vida cotidiana é extremamente presente. A escola é um local no qual podemos observar isso, como? Um aluno se sente muito melhor e apto para absorver conhecimento num lugar mais agradável e confortável, tais recursos são quase que exclusivamente proporcionados pela arquitetura.
Comecemos, de fato, abordar o assunto. Bem, dentro das novas discussões acerca das fontes historiográficas, percebe-se que é possível construir a História da Educação tendo a arquitetura escolar como fonte, principalmente quando se faz uma pesquisa acerca de instituições escolares que surgiram a partir da Proclamação da República (1889), momento em que ocorreu um aumento da preocupação com a construção de prédios específicos para a educação.
Estes edifícios passaram a dialogar com as discussões do final do século XIX acerca da urbanidade, do higienismo e da necessidade da educação para alcançar o progresso. Sobre o assunto assim registrou Rosa Fátima Souza:
“O edifício escolar torna-se portador de uma identificação arquitetônica que o diferenciava dos demais edifícios públicos e civis ao mesmo tempo em que o identificava como um espaço próprio – lugar específico para as atividades de ensino e do trabalho docente.”
No início da República prevaleceu uma atitude otimista com relação à escola, sendo esta vista como “redentora do pecado da ignorância” e “fator do progresso social”. Os arquitetos dialogavam com os responsáveis pelos caminhos da educação. Neste período predominou a “arquitetura neoclássica”, caracterizada por um edifício imponente, hall de entrada primoroso, escadarias, eixo simétrico, duas alas, pátio interno, corredores internos, janelas verticais grandes e pesadas, acabamento com materiais nobres.
Através da implantação de novas propostas educacionais pode-se encontrar também mudanças na arquitetura escolar, já que a mesma dialoga com o momento histórico escolar. Analisando a arquitetura escolar no Estado de São Paulo, detecta ainda outros momentos diferenciados no processo de construção das escolas. O segundo momento de transformação na arquitetura escolar estaria ligado ao movimento escolanovista, mais centrado nas questões dos alunos e no quantitativo escolar, refletiu então na construção de espaços mais modernos: formas geométricas simples, uso de novos materiais como o concreto armado, novas técnicas construtivas, não mais simetria perfeita, etc.
Os momentos seguintes de transformações (anos 1950 e anos 60) estiveram intimamente ligados às políticas públicas e às necessidades de aumento do número de escolas no Estado. Devido à necessidade de ampliação do número de vagas escolares, foram projetados edifícios mais utilitários, baratos, de construção rápida e que não eram diferentes de qualquer outro edifício público. A partir da década de 1960 houve uma mudança do “qualitativo” para o “quantitativo”. Pode-se levar em consideração que este discurso arquitetônico esteve presente também em todo o Brasil, onde a arquitetura escolar foi também um reflexo das políticas governamentais, do discurso pedagógico e das necessidades da comunidade local.
Nenhum comentário:
Postar um comentário